Angola define estratégia para o petróleo e o gás até 2050, enquanto o Banco Africano de Energia prevê o seu lançamento em Novembro
O financiamento desta próxima fase poderá receber um grande impulso já em Novembro. O presidente executivo da Câmara Africana de Energia, NJ Ayuk, anunciou durante a cerimónia de abertura da AOG que tinha sido informado de que o Afreximbank e a Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO) irão lançar, nesse mês, o tão aguardado Banco Africano de Energia.
«Isto permitirá que as empresas realizem trabalhos de grande envergadura», afirmou Ayuk, apelando à continuação da exploração e do investimento em todo o continente. «Explorem sempre, continuem a explorar.»
O Secretário-Geral da APPO, Farid Ghezali, fez-se eco destas observações, salientando no seu discurso de abertura que a mobilização de capital africano será essencial para que países como Angola consigam transformar a sua riqueza em recursos num desenvolvimento económico mais abrangente.
«Os recursos, por si só, não geram prosperidade. O que importa é a nossa capacidade de transformar esses recursos em oportunidades», afirmou. «Instituições como o Banco Africano de Energia podem ajudar a mobilizar capital, apoiar projetos estratégicos e financiar o desenvolvimento de África.»
O anúncio do financiamento surge num momento em que Angola avança com a sua Estratégia de Hidrocarbonetos para 2025-2050, que visa uma maior exploração, um desenvolvimento mais rápido dos projectos e uma produção sustentada. Alcides Andrade, Administrador Executivo da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), afirmou que a Estratégia de Hidrocarbonetos está actualmente a ser revista, numa altura em que Angola concorre por capital global cada vez mais selectivo.
«O nosso objectivo não é apenas atribuir blocos, mas transformar os blocos em investimento, o investimento em descobertas e as descobertas em produção», afirmou Alcides Andrade.
A ANPG prevê um portfólio de investimentos a montante no valor de 70 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, apoiado por oportunidades que abrangem áreas offshore, bacias terrestres pouco exploradas e activos de produção maduros. Alcides Andrade salientou, igualmente, que a entidade reguladora irá também manter o Regime de Oferta Permanente, ao mesmo tempo que trabalha para simplificar os procedimentos, melhorar os modelos contratuais e reduzir os prazos de tomada de decisão.
Por seu turno, a empresa petrolífera nacional Sonangol deverá desempenhar um papel cada vez mais operacional nesta próxima fase, à medida que a empresa celebra o seu 50.º aniversário em 2026. Osvaldo Inácio, membro do Conselho de Administração da Sonangol, afirmou que a empresa está actualmente presente em 42 concessões petrolíferas e opera 11 delas, ao mesmo tempo que se expande para os sectores do gás, petroquímico e outras actividades industriais.
«Há um princípio que resume a nossa responsabilidade: produzir para transformar», afirmou Osvaldo Inácio. «Não basta ter recursos. É fundamental desenvolver a capacidade de os transformar em valor acrescentado.»
Segundo Inácio, a Sonangol investiu 10,5 mil milhões de dólares entre 2021 e 2025, enquanto a sua carteira cresceu de 995 milhões de dólares em 2022 para 3,4 mil milhões de dólares em 2025. Afirmou ainda que a empresa também aumentou os seus volumes líquidos em 200 000 barris por dia nos últimos anos e processou 50 000 km² de sísmica 3D.
Essa expansão estende-se a jusante, onde Angola procura aumentar a capacidade interna de refinação, armazenamento e distribuição. Luís Fernandes, diretor-geral do Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo (IRDP), identificou a segurança energética, a criação de valor a nível nacional, a concorrência e a qualidade dos produtos como pilares centrais do setor.
«A refinação nacional irá reduzir a dependência das importações», afirmou Fernandes, acrescentando que Angola necessita de «uma rede logística integrada que ligue as refinarias aos terminais».
A Refinaria de Cabinda, recentemente concluída, e o projecto de desenvolvimento da Refinaria do Lobito - cuja entrada em funcionamento está prevista para 2027 - fazem parte desta estratégia, enquanto o IRDP identifica novas oportunidades de investimento nas áreas de armazenamento, oleodutos, distribuição e fabrico de lubrificantes.
Com a estratégia de longo prazo de Angola para os hidrocarbonetos a tomar forma e o surgimento de novos mecanismos de financiamento africanos, os líderes do sector energético angolano aproveitaram a abertura da AOG 2026 para deixar clara uma mensagem central: a próxima fase do desenvolvimento do petróleo e do gás no país assentará no investimento, na exploração, na capacidade interna e na execução.

