Angola tem como meta capacidade de refinação de 425 000 bpd, num momento em que a fatura das importações atinge os 2 mil milhões de dólares em seis meses
Ao discursar na conferência Angola Oil & Gas, em Luanda, afirmou que «ninguém coloca um barril de petróleo bruto em nada para que isso vá a algum lado. As minas não funcionam a petróleo bruto; funcionam a gasóleo. Se se importa entre cinco a seis mil milhões de dólares por ano em gasóleo, está-se a desperdiçar valor económico.»
A urgência subjacente a essa meta é visível nos números mais recentes. O director de Planeamento e Controlo de Gestão da Sonangol, Edson Pongolola, afirmou que o país importou aproximadamente 1,8 milhões de toneladas de produtos refinados no primeiro semestre de 2026, num custo de cerca de 1,96 mil milhões de dólares. «Se continuarmos a depender das importações, isso vai sair-nos caro», afirmou.
O projecto abrange quatro instalações. A refinaria de Luanda opera a uma capacidade de 65 000 bpd. A refinaria de Cabinda, inaugurada em Setembro de 2025, transforma 30 000 bpd de crude em gasóleo, combustível para aviões, nafta e fuelóleo pesado, estando prevista uma segunda fase para duplicar a capacidade e incluir a produção de gasolina nas suas fases finais. A refinaria de Lobito, com uma capacidade de 200 000 bpd, estava concluída em cerca de 28 % no início de 2026. Está também prevista uma instalação com uma capacidade de 100 000 bpd para o Soyo.
O presidente da Sonangol Refinaria, Joaquim Kiteculo, afirmou que os projectos fazem parte de uma cadeia de valor mais ampla que dá prioridade à segurança energética. «Não estamos a construir refinarias independentes; estamos a construir um sistema de refinação integrado em Angola», afirmou. «Cada uma das nossas refinarias desempenha um papel estratégico neste sistema integrado.» A Sonangol, que celebra este ano 50 anos de actividade, gere activos de refinação, armazenamento e distribuição em toda a rede nacional, sendo o Terminal Marítimo de Barra do Dande parte de um plano director de logística mais abrangente.
O presidente da Sancorp, Efe Tunde, afirmou que a sua empresa, apoiada por capital institucional do Médio Oriente e capital de risco africano, pretende apoiar o Corredor do Lobito. «A refinaria Dangote, na Nigéria, demonstrou o interesse dos investidores estrangeiros em grande escala», afirmou. «Nós, aqui, começando em Angola com o corredor de Lobito, podemos aproveitar essa confiança.»

