Plano Director do Gás de Angola prevê investimento de 13 mil milhões de dólares nos sectores de transporte e comercialização, distribuído por cinco centros
Artur Custódio afirmou que Angola dispõe de mais de 15 biliões de pés cúbicos (tcf) de gás monetizável, para além do que já está destinado à fábrica de GNL de Angola, no Soyo. Aproximadamente 93 % do gás produzido no ano passado foi utilizado, tendo a queima de rotina descido para 7 %. O Consórcio New Gas, operado pela Azule Energy com uma capacidade projectada de 400 mmscf/d, está actualmente a processar cerca de 100 mmscf/d. Está também em discussão a construção de uma nova fábrica de fertilizantes em Cabinda, a que se seguirá a produção de metanol.
«O nosso objectivo é deixar de utilizar o gás como produto de exportação e começar a utilizá-lo mais como uma matéria-prima essencial capaz de apoiar o desenvolvimento do nosso país», afirmou Manuel Barros, CEO da Sonangol Gas, durante o painel «Anchoring Growth» (Consolidar o Crescimento), patrocinado pela Sistran. A Sonangol detém a participação maioritária na rede de gasodutos de 600 km que abastece o complexo de Soyo e celebra o seu 50.º aniversário em 2026. «O gás tem de ser rentabilizado em Angola para estimular a actividade industrial. O papel da Sonangol nesta área é fundamental.»
Waheed Abbasi, vice-presidente sénior da Siemens Energy, caracterizou as ambições de Angola no sector do gás como uma contribuição directa para a cadeia de valor dos fertilizantes do país. «Se partirmos do princípio de que a venda de GNL representa um aumento de uma vez na economia, se o convertermos em amoníaco, é como se representasse um aumento de três vezes no PIB. Se produzirmos ureia, é de quatro vezes», afirmou. «Não acredito na criação de novos sectores. O que se deve fazer é aprofundar os sectores em que já estamos presentes.» O complexo de fertilizantes da Amufert no Soyo, no qual a Siemens Energy de Abbasi tem uma parceria com o Grupo Opaia, tem como meta a produção de 1,4 milhões de toneladas de ureia granulada e 800 000 toneladas de amoníaco.
O metanol segue uma lógica semelhante à dos fertilizantes, tendo Pedro Sebastião, gestor de subsolo da Azule Energy, salientado que a empresa gasta cerca de 1 milhão de toneladas de metanol por ano para manter as suas operações, sendo a totalidade adquirida no mercado externo. «Temos o quadro jurídico definido, temos o plano director para o gás, temos um enorme mercado à nossa volta que podemos realmente explorar se formos suficientemente corajosos para o construir primeiro. A procura virá», afirmou Sebastião.
O director financeiro da Amufert, Hugo Azevedo, salientou que a dimensão da oportunidade proporcionada pelo Plano Director do Gás estende-se ainda mais, abrangendo uma economia de exportação reforçada, bem como uma cadeia de valor interna diversificada. «A procura não é angolana», afirmou, salientando que «a procura é global.»

