A estratégia de hidrocarbonetos de Angola inclina-se para a China, num contexto de impulso aos setores de exploração e refinação
As reuniões – que abrangem o investimento a montante, as infraestruturas de refinação, o desenvolvimento de competências e a mineração – refletem um esforço coordenado para alinhar a agenda de desenvolvimento de Angola com o capital e os conhecimentos técnicos chineses.
O reforço da cooperação económica e o apoio às empresas chinesas que procuram oportunidades em Angola estiveram no centro das reuniões realizadas entre o ministro angolano Diamantino Azevedo, o seu homólogo chinês Guan Zhi’ou e o vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Zhou Haibing. A questão que se coloca agora é o que este aprofundamento do compromisso significa para a trajetória a longo prazo do setor do petróleo e do gás em Angola, especialmente num momento em que o país procura equilibrar o crescimento da produção, a industrialização e a segurança energética.
Dinâmica a montante: reativar o envolvimento dos investidores estratégicos
Com o objetivo de manter a produção de petróleo acima de um milhão de barris por dia (bpd) a médio prazo, Angola está a intensificar o diálogo com as empresas para impulsionar a exploração. Uma próxima ronda de concessões, melhores condições fiscais e estruturas contratuais mais flexíveis constituem a espinha dorsal desta estratégia, abrindo caminho a uma maior participação das empresas chinesas. A visita do ministro Azevedo à China reflete a intenção de Angola de aprofundar estas parcerias e reposicionar Pequim como um interveniente fundamental no setor a montante.
Uma reunião com a SINOPEC destacou oportunidades de expansão do portfólio, incluindo potenciais projetos conjuntos com a Sonangol. As duas empresas já cooperam através da sua joint venture Sonangol Sinopec International, mas as discussões apontaram para uma colaboração mais ampla nas áreas da refinação, petroquímica e fornecimento de equipamentos.
Expansão a jusante: Lobito como ponto de referência estratégico
O setor a jusante representa outro ponto de entrada fundamental para o investimento chinês, nomeadamente na refinação. A Sonangol procura atualmente angariar 4,8 mil milhões de dólares para o desenvolvimento da Refinaria de Lobito, com uma capacidade de 200 000 bpd, que deverá tornar-se a maior instalação do país assim que a primeira fase entrar em funcionamento em 2027. No início deste ano, a Sonangol confirmou que está em negociações com investidores chineses para financiar parcialmente o projeto.
Esta semana, a Sonangol reuniu-se com a China Chemical Engineering International Corporation (CNCEC) para analisar o estado de avanço do projeto técnico e da implementação da primeira fase, sendo a CNCEC a principal empreiteira. Ao acelerar o projeto de Lobito, Angola pretende expandir a capacidade de refinação nacional para além dos atuais 65 000 bpd, reter mais valor no país e reforçar a segurança energética.
Capacitação: Preparando a próxima geração
Para além do desenvolvimento de projetos, Angola está também a aproveitar a sua relação com a China para dar resposta a um obstáculo estrutural: o capital humano. As conversações com a Universidade de Petróleo da China (UPC) apontam para um impulso mais deliberado no sentido da cooperação académica e técnica, com foco na formação de profissionais angolanos em todo o setor do petróleo e do gás.
O ministro Azevedo propôs a assinatura de um memorando de entendimento entre a UPC e o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências da Sonangol. O acordo abrangeria programas de formação avançada, iniciativas conjuntas de investigação e a integração com o Centro de Investigação e Desenvolvimento que a Sonangol tenciona criar. Ao integrar o desenvolvimento de competências no seu compromisso bilateral, Angola não está apenas a importar conhecimentos especializados, mas também a reforçar as capacidades nacionais.
AOG 2026: Transformar a diplomacia em acordos
Estes desenvolvimentos antecedem a Conferência e Exposição Angola Oil & Gas (AOG) 2026, agendada para os dias 9 e 10 de setembro, com um programa pré-conferência no dia 8 de setembro. Enquanto principal plataforma do setor no país, a AOG tem-se posicionado consistentemente como um espaço para traduzir intenções estratégicas em resultados de investimento concretos.
A conferência deste ano deverá desempenhar um papel fundamental no aprofundamento das relações entre Angola e a China. Com oportunidades no setor de exploração e produção, projetos de refinação e iniciativas de reforço de capacidades em cima da mesa, a AOG oferece uma plataforma estruturada para que os investidores chineses, os decisores políticos angolanos e as partes interessadas internacionais cheguem a um consenso sobre as prioridades e as vias de execução.

