Negócios, perfurações e novos operadores marcam a Angola Oil & Gas 2026
Onze acordos impulsionam o portfólio de investimentos de Angola
Foram formalizados onze acordos durante a AOG 2026, abrangendo novas áreas de exploração, investimento em campos maduros, financiamento, indústria do gás e redução de emissões. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Angola (ANPG) assinou acordos com empresas petrolíferas internacionais relativos aos Blocos 19, 34 e 35 em águas profundas; aos Blocos 8 e 22; ao Bloco 33/24; os blocos 17/25 e 32/21; e mais investimento no bloco 32. Os acordos apoiaram também o aumento da produção nos blocos 15 e 31, o financiamento da expansão da Etu Energias no bloco 14 e a componente de responsabilidade social do complexo de fertilizantes de Soyo, no valor de 2 mil milhões de dólares, planeado pela Amufert.
A exploração passa para o primeiro plano
A ANPG estabeleceu uma meta de, pelo menos, 10 poços por ano, numa altura em que Angola procura reconstruir o seu programa de exploração e compensar o declínio dos campos maduros. A Shell comprometeu-se a prosseguir a exploração de forma agressiva, na sequência de três acordos assinados na AOG. A Corcel está também a considerar a perfuração de um poço de exploração em meados de 2027 no KON-16, na Bacia do Kwanza, em terra, após a conclusão de uma campanha sísmica 2D de 326 km lineares.
TotalEnergies e Chevron reforçam a aposta
As operadoras já estabelecidas aproveitaram a AOG para reafirmar o seu compromisso com o investimento a longo prazo. A TotalEnergies anunciou planos para investir 10 mil milhões de dólares, em conjunto com os parceiros dos projetos, em todo o seu portfólio angolano ao longo dos próximos cinco anos, enquanto novos investimentos em Dalia poderão permitir a exploração de até 400 milhões de barris, ao abrigo do quadro de produção incremental de Angola. A Chevron planeia investimentos adicionais no Bloco 0, na sequência da prorrogação da concessão até 2050.
Pertamina e Panoro pretendem entrar no mercado angolano
A AOG revelou também sinais de uma nova participação internacional. A Pertamina, da Indonésia, anunciou planos para assumir o papel de operadora na fase de exploração e produção em Angola. Entretanto, a Panoro Energy está a avaliar oportunidades nos segmentos onshore, offshore, de fronteira e de projetos já existentes em Angola. O consultor sénior Tim O’Hanlon afirmou que «não demorará muito até estarmos em Angola», destacando as condições fiscais favoráveis e a concorrência crescente.
A pré-conferência define a agenda de investimentoA AOG 2026 teve início com um programa pré-conferência específico, centrado na próxima fase do desenvolvimento do setor do petróleo e do gás em Angola. Os workshops e os debates técnicos abordaram as infraestruturas de gás, os mercados a jusante, as tecnologias de exploração e as oportunidades de investimento, preparando o terreno para os compromissos anunciados durante a conferência principal.
Setores do gás e da refinação orientam-se para a criação de valor a nível nacional
O Plano Diretor do Gás de Angola revelou-se uma importante plataforma de industrialização, com o objetivo de atrair cerca de 13 mil milhões de dólares em investimentos nos setores intermédio e a jusante, distribuídos por cinco pólos. A expansão do setor a jusante está a avançar em paralelo. Angola tem como meta atingir uma capacidade de refinação de 425 000 barris por dia em Luanda, Cabinda, Lobito e Soyo, numa tentativa de reduzir a fatura das importações de produtos refinados, que atingiu cerca de 1,96 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026.
A AOG reconhece os talentos do setor e os talentos emergentes
Os Prémios AOG reconheceram as conquistas ao longo de toda a cadeia de valor, tendo a Azule Energy sido nomeada «Game Changer do Ano», a Sonangol «Exploradora do Ano», a Etu Energias «Empresa Local do Ano» e a Refinaria de Cabinda «Operador do Setor a Jusante do Ano». Aníbal Octávio Teixeira da Silva recebeu o Prémio pelo Conjunto da Obra.
Quatro alunas – Abigail Francisco Boa, Chana Lisboa, Genilda Ricardo e Madalena Yanesa Ramos Neto – receberam também a Bolsa de Estudo Albina Faria de Assis Pereira Africano, que concede apoio financeiro às melhores alunas admitidas no Instituto Nacional do Petróleo de Angola.
A ANPG alarga o acesso dos investidores
A ANPG deu mais um passo no sentido de melhorar o ambiente de investimento, lançando um site renovado que inclui uma funcionalidade de pesquisa baseada em inteligência artificial e um espaço dedicado aos investidores. A plataforma proporciona um maior acesso a dados do setor, oportunidades de investimento e às equipas da ANPG, facilitando uma comunicação mais rápida entre a entidade reguladora e os potenciais investidores.
Feira reúne os intervenientes do setor
A par da conferência, a exposição AOG 2026 reuniu operadores, empresas de serviços, fornecedores de tecnologia e instituições governamentais, proporcionando uma plataforma para a apresentação de projetos, capacidades e oportunidades de investimento ao longo de toda a cadeia de valor do petróleo e do gás em Angola.

