A EY afirma que a execução mais rápida dos projetos é a chave para o próximo crescimento da produção em Angola
Enquanto Angola se esforça por manter a produção acima de um milhão de barris por dia e, ao mesmo tempo, avança com um plano de investimentos no setor a montante no valor previsto de 70 mil milhões de dólares, Afonso considera que as recentes reformas regulatórias do país lançaram grande parte das bases para o sucesso a longo prazo.
«Acredito que os países com um historial comprovado, países com um ambiente económico estável para este setor, contratos estáveis que são respeitados pelo Ministério das Finanças, pelo Ministério do Petróleo, pela entidade reguladora e pelos investidores, tal como temos aqui em Angola, constituem o cenário perfeito para atrair investidores», afirmou Afonso. «Esse é um dos aspetos fundamentais que diferencia Angola dos outros países.»
Embora o capital global se tenha tornado cada vez mais seletivo num contexto de incerteza geopolítica e de dinâmicas de mercado em constante mudança, Afonso defendeu que o apelo de Angola vai além do seu potencial no setor a montante. Os investimentos na refinação, na logística e nas infraestruturas de exportação reforçaram a posição do país como um polo energético integrado, capaz de sustentar o crescimento a longo prazo do setor.
«Angola investiu fortemente nos últimos 10 anos para se tornar um verdadeiro centro energético», afirmou. «O país realizou investimentos significativos em toda a cadeia de valor do petróleo e do gás, reforçando simultaneamente as infraestruturas logísticas que apoiam esta atividade. Em conjunto, isto faz de Angola um destino atraente para o investimento.»
Apesar destes progressos, Afonso considera que a execução dos projetos continua a ser um dos maiores desafios do país. Embora as reformas introduzidas nos últimos anos tenham ajudado a reduzir os prazos de desenvolvimento, serão necessárias mais melhorias para que Angola consiga transformar os novos investimentos num crescimento sustentado da produção.
«O foco principal deve ser a redução do tempo de comercialização de cada projeto», afirmou. «Melhorar este tempo de comercialização permitirá manter os níveis de produção atuais. O governo e a entidade reguladora já implementaram mudanças importantes que aceleraram a concretização dos projetos, mas ainda há margem para melhorias.»
O desafio reveste-se de particular relevância para o número crescente de operadores independentes em Angola que procuram oportunidades nas bacias terrestres do país. Segundo Afonso, o financiamento bancário tradicional continua a ser difícil para as empresas de exploração de menor dimensão, devido à concentração do risco nos projetos. Em vez disso, ele prevê que as parcerias estratégicas com grandes operadores do setor e empresas de comercialização de matérias-primas venham a tornar-se uma fonte de capital cada vez mais importante.
«O que estamos a assistir são novas formas de financiar estas operações», afirmou. «As empresas mais pequenas estão, cada vez mais, a estabelecer parcerias com empresas mais sólidas e entidades comerciais que dispõem de capital disponível e têm um forte interesse neste negócio. Acreditamos que este pode ser o futuro a curto e médio prazo.»
Ao mesmo tempo, Afonso salientou que a política governamental deve continuar a ser suficientemente flexível para refletir as diferentes características económicas de cada projeto, em vez de aplicar um modelo fiscal único a todo o setor.
«Não existe uma regra única que se aplique a todos os ativos… A flexibilidade de cada contrato para definir a abordagem fiscal adequada a cada projeto será fundamental para a entrada em funcionamento de diferentes ativos.»
Antecipando a AOG 2026, Afonso afirmou que a conferência constitui uma plataforma importante para alinhar o governo, as entidades reguladoras e o setor em torno das medidas práticas necessárias para melhorar a execução dos projetos, ao mesmo tempo que destaca os progressos alcançados por Angola nos últimos sete anos.
«Este é o fórum perfeito para dar visibilidade ao que está a ser feito em Angola», afirmou. «Reúne o governo, as entidades reguladoras e os investidores para demonstrar que o caminho está traçado e que irá prosseguir. Além disso, articula debates em torno do desenvolvimento a montante, do gás, do financiamento e da tecnologia, permitindo que a indústria mais importante do país prospere nos próximos 25 anos.»

