Pertamina quer assumir o papel de operadora na área de exploração e produção em Angola, à medida que a Indonésia reforça as suas relações no sector energético
A empresa considera Angola um parceiro estratégico para reforçar a segurança energética e diversificar o abastecimento, enquanto Angola poderá beneficiar da tecnologia, da experiência e da capacidade de investimento da Pertamina. A estratégia foi apresentada durante a Angola Oil & Gas, a 9 de setembro.
«Pretendemos tornar-nos operadores a montante em Angola», afirmou Dicky Sudan Pramudianta, vice-presidente da Pertamina responsável pelo abastecimento de matérias-primas e produtos. «Pretendemos tirar partido da Maurel & Prom, bem como das marcas da Pertamina, para estabelecer contactos com a Sonangol e com as autoridades angolanas.»
A Maurel & Prom — uma empresa de exploração de petróleo e gás na qual a Pertamina detém uma participação maioritária de 71,09% — tem uma posição consolidada no setor a montante em Angola, com participações nos Blocos 3/05 e 3/05A, onde é parceira desde 2019 e produz petróleo através das suas participações nos ativos offshore maduros. A Sonangol continua a ser a operadora de ambos os blocos, enquanto a Maurel & Prom detém também uma participação de 40% no Bloco 3/24, operado pela Afentra.
Afirmou que a Pertamina já recebe, na sua maioria, crude médio e pesado de Angola, tipos de petróleo adequados às suas refinarias. Acrescentou ainda que uma maior flexibilidade e certeza em matéria de logística poderiam tornar Angola num dos parceiros comerciais mais importantes da Indonésia no sector energético até 2030.
Uma parceria mais estreita poderia alargar-se a investimentos conjuntos entre a Pertamina e a Sonangol, com a Pertamina a trazer para Angola tecnologia e experiência operacional na área do upstream. Pramudianta afirmou que esta cooperação poderia tornar-se «muito benéfica para ambas as partes» nos próximos cinco a dez anos, à medida que ambas as empresas procuram oportunidades a longo prazo.
O interesse da Indonésia reflecte também um esforço mais amplo para garantir o abastecimento energético, ao mesmo tempo que se expandem os laços económicos com África. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Arif Havas Oegroseno, afirmou que a Indonésia pretende ir além de uma relação tradicional de comprador-vendedor com Angola e estabelecer parcerias assentes em investimentos a longo prazo.
«Queremos ir mais longe. Queremos estabelecer parcerias conjuntas através de investimentos a longo prazo», afirmou, acrescentando que a Indonésia pretende servir de «porta de entrada entre Angola e a Ásia». Acrescentou ainda que a Indonésia já desenvolve actividades em Angola, principalmente através da Pertamina, mas considera que há margem para transformar os laços políticos em parcerias industriais mais sólidas.
Oegroseno afirmou que o crescimento económico da Indonésia está a aumentar a necessidade de fontes de energia fiáveis e que Angola representa uma oportunidade importante no âmbito da sua estratégia africana mais ampla, salientando que a Indonésia está à procura de oportunidades em todo o continente, tanto no domínio da segurança energética como do desenvolvimento económico.
As relações diplomáticas estão também a ser alargadas, tendo o vice-ministro confirmado que a Indonésia está a analisar planos para abrir uma embaixada em Angola. Esta medida reforçaria o diálogo directo entre os dois governos, numa altura em que a Pertamina procura oportunidades no sector a montante e a Indonésia procura aprofundar os laços comerciais.
A sessão foi moderada por Verner Ayukegba, vice-presidente sénior da Câmara Africana de Energia, que destacou a evolução da dinâmica da segurança energética e do abastecimento energético. Tendo desafiado os oradores a reflectir sobre a forma como a Indonésia e Angola poderiam transformar a crescente vontade política em projectos concretos e em investimentos mutuamente benéficos.

