O presidente da Petrobras participa na AOG 2026, reforçando as parcerias na região do Atlântico Sul
A participação da Chambriard surge num momento em que a Petrobras está a renovar o seu compromisso com Angola. Em 2025, a empresa assinou dois acordos, marcando o seu regresso ao mercado e o compromisso de avaliar oportunidades de exploração. Um acordo assinado em maio de 2025 com a Sonangol, a empresa petrolífera nacional de Angola, marcou o início das atividades de investigação e desenvolvimento entre as empresas, delineando a cooperação bilateral nos setores do petróleo, gás e setores associados. Isto seguiu-se a um acordo assinado entre a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Angola, entidade reguladora do setor upstream, em março de 2025, para o estudo conjunto de áreas offshore em Angola.
Estes acordos, no seu conjunto, representam mais do que apenas o regresso da Petrobras a Angola: refletem uma mudança geopolítica e setorial mais ampla no sentido da cooperação Sul-Sul no desenvolvimento energético. Em março de 2026, o Ministério de Minas e Energia do Brasil assinou um memorando de entendimento com o Ministério da Energia e Águas de Angola, formalizando uma agenda conjunta centrada na troca de experiências, no desenvolvimento institucional e no reforço das políticas públicas entre os dois países. O acordo visa promover a cooperação no planeamento energético, na produção e transmissão de energia, bem como na capacitação, apoiando a eletrificação angolana. Embora o acordo reflita oportunidades de colaboração no setor energético, é no setor do petróleo e do gás que a cooperação Angola-Brasil se destaca verdadeiramente.
Dadas as suas semelhanças geológicas, Angola e o Brasil estão bem posicionados para tirar partido da cooperação transatlântica com vista a reforçar os seus respetivos mercados de petróleo e gás. Por seu lado, o Brasil representa um dos mercados de águas profundas mais prolíficos do mundo, com projetos como o campo petrolífero de Lula, na Bacia de Santos, que se estabeleceu como um dos maiores campos de águas ultraprofundas do mundo. Até 2030, prevê-se a perfuração de mais de 600 poços em Lula, com a produção nacional do Brasil a atingir 4,9 milhões de bpd até 2032.
Angola apresenta um potencial geológico semelhante, com a mesma tectónica salina e os mesmos sistemas petrolíferos de margens conjugadas observados no lado africano do Atlântico. Uma geologia sólida e um regime fiscal competitivo reforçaram a atratividade de Angola como interveniente no setor das águas profundas, com programas de exploração e produção em curso a consolidar o estatuto do país como um dos principais produtores em águas profundas. A TotalEnergies e a ExxonMobil assinaram recentemente um Acordo de Princípios para a atribuição de quatro blocos nas bacias de Benguela e Namibe, dando um novo impulso aos esforços de exploração em águas profundas. A Azule Energy planeia perfurar a prospecção Kiando no Bloco 47 em 2026, enquanto a Shell adquiriu recentemente participações nos blocos de águas ultraprofundas 49 e 50.
Para a Petrobras, aproveitar a experiência adquirida no Brasil poderá apoiar o impulso de Angola no setor de águas profundas. À medida que a empresa reforça a sua posição no mercado angolano, a presença de Chambriard na AOG 2026 sublinha a crescente importância da cooperação entre o Brasil e Angola na definição do futuro do desenvolvimento de petróleo e gás em águas profundas no Atlântico Sul.
A AOG 2026 constitui uma plataforma estratégica para estas discussões, reunindo empresas petrolíferas nacionais, operadores internacionais, investidores e decisores políticos para definir a próxima fase do desenvolvimento do setor do petróleo e do gás em Angola. O renovado empenho da Petrobras em Angola, aliado ao reforço da cooperação entre os governos do Brasil e de Angola, é sinal de um impulso crescente em torno do desenvolvimento conjunto, da partilha de conhecimentos e do investimento transatlântico.

