Shell aposta numa exploração agressiva em Angola após três acordos na AOG 2026
A grande empresa do setor energético planeia «explorar o subsolo de forma agressiva», segundo Alioune Sourang, diretor-geral da Shell Angola, que afirmou, durante uma conversa informal na Conferência Angola Oil & Gas (AOG) 2026, que a combinação do potencial geológico de Angola com as melhores condições de investimento tinha motivado o regresso da empresa.
Este compromisso surge num momento em que a Shell expande a sua presença no setor offshore através de três acordos assinados na AOG 2026. Estes incluem um Acordo de Serviços de Gestão de Risco com a Equinor e a Sonangol E&P, abrangendo os Blocos 19, 34 e 35 em águas profundas; um Contrato de Serviços de Gestão de Risco com a Chevron e a Sonangol para o Bloco 33/24; e um Memorando de Entendimento com a QatarEnergy e a Sonangol, abrangendo os Blocos 8 e 22.
«Existe um grande interesse na margem atlântica e Angola destaca-se», afirmou Sourang. «A geologia revela um historial comprovado de produção com sistemas de hidrocarbonetos comprovados, mas ainda há muitos recursos por descobrir.»
A estratégia renovada da Shell para Angola coloca a exploração no centro da sua presença a longo prazo. Com novas áreas asseguradas, Sourang afirmou que a prioridade é agora avaliar o subsolo e transformar o potencial de recursos em oportunidades comerciais.
«A nossa área de exploração oferece muitas oportunidades, mas o verdadeiro trabalho começa agora», afirmou ele. «A exploração é a força motriz do sector a montante. Sem exploração, não há negócio a longo prazo.»
O regresso da Shell não se deve apenas à geologia de Angola. Sourang destacou as reformas regulatórias e fiscais implementadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, bem como uma colaboração mais estreita entre o governo, as operadoras e a cadeia de abastecimento nacional.
«O que torna Angola atraente é o facto de possuir uma bela combinação de potencial subterrâneo e competitividade à superfície», afirmou, acrescentando que «o capital move-se com confiança. É importante ter estabilidade a longo prazo, pois isso gera previsibilidade, e é evidente que Angola possui todas estas características.»
Segundo Sourang, o conteúdo local constituirá parte integrante da estratégia de exploração da Shell. Afirmou que a actual equipa da empresa no terreno é inteiramente angolana e que a sua abordagem irá além do cumprimento dos requisitos legais, visando o desenvolvimento de capacidades nacionais.
«No mínimo, vamos cumprir a lei, mas, acima de tudo, vamos concentrar-nos no reforço das capacidades», afirmou.
Essa abordagem estende-se também ao apoio às operadoras nacionais. Sourang destacou o trabalho recente da Shell com a Etu Energias para apoiar o crescimento da empresa angolana e o aumento da sua participação no sector a montante, descrevendo o desenvolvimento das operadoras como mais uma via através da qual as empresas internacionais podem contribuir para o conteúdo local.
Embora reconheça que a exploração acarreta riscos inerentes e que nem todas as campanhas resultarão num desenvolvimento comercial, Sourang afirmou que a nova exploração continua a gerar conhecimento geológico e valor tanto para a Shell como para Angola.
«Vamos continuar a ser disciplinados, a planear cuidadosamente e a explorar o subsolo de forma enérgica», afirmou. «Queremos transformar o enorme potencial que existe em realidade. Foi-nos dada uma oportunidade e agora é o momento de a concretizar.»

