Sonangol aposta na Bacia do Kwanza como a próxima fronteira para o crescimento das actividades em águas profundas em Angola
As perspetivas foram apresentadas a 9 de setembro, durante a Angola Oil & Gas 2026, em Luanda, onde o Presidente e da Sonangol, Ricardo Van-Deste, se juntou a altos executivos da SLB, da Chevron, da TotalEnergies, da Petrobras, da Shell e da ANPG para debater o potencial de águas profundas de Angola, o ambiente de investimento e a estratégia para a sustentabilidade da produção.
«A Bacia do Kwanza tem potencial para ser um factor de mudança», afirmou Ricardo Van-Deste. «Estamos a avançar com as actividades de avaliação e exploração na bacia e acreditamos que estas actividades podem conduzir à próxima vaga de desenvolvimentos pioneiros em águas profundas.» Afirmou, ainda, que a Bacia do Congo continuará a ser importante para manter a produção de Angola em cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd), enquanto o Kwanza tem potencial para se tornar a próxima grande fronteira de crescimento do país.
Estes comentários surgem na sequência da mais recente actividade de avaliação da Sonangol no poço Katambi-2, no Bloco 24, que confirmou a existência de um recurso significativo de gás pré-sal e reforçou a compreensão da empresa sobre o potencial offshore de Angola. Com os trabalhos de avaliação agora concluídos, a Sonangol está a dedicar maior atenção à Bacia do Kwanza, onde, segundo Van-Deste, a empresa pretende mobilizar os recursos necessários para sustentar a próxima geração de projectos de desenvolvimento em águas profundas em Angola.
Por seu turno, a TotalEnergies já está a avançar com o primeiro grande projecto de exploração petrolífera em águas profundas da Bacia do Kwanza, através do projecto Kaminho, no Bloco 20/11, onde os campos de Cameia e Golfinho estão a ser desenvolvidos através de uma FPSO e de um sistema de produção submarino. A FPSO do projecto atingiu 50% de conclusão em Abril, estando a primeira produção de petróleo prevista para o final de 2027 e a produção a atingir 75 000 bpd.
Este novo impulso à exploração surge num momento em que as empresas internacionais aumentam a sua presença em Angola. A directora de Exploração da Chevron, Emmanuelle Garinet, afirmou que a empresa «duplicou a sua presença em Angola nos últimos dois anos, ao mesmo tempo que aumentou o seu orçamento de exploração em 50%», incluindo mais de 100 milhões de dólares investidos após a entrada nos Blocos 49 e 50 e a aquisição de dados sísmicos 3D em grande escala.
Já o director nacional da SLB Angola, João Wolo Joaquim Domingues, afirmou que a combinação de novos projectos e do sucesso na exploração estava a gerar «muito entusiasmo» em torno do sector de águas profundas de Angola. Destacou o projecto Agogo, o desenvolvimento de Kaminho e a descoberta de gás em Atombe-02, referindo que os resultados estavam a demonstrar que Angola possui «muito mais recursos que podem ser explorados».
Esta actividade está a ser acompanhada por um esforço mais abrangente para reforçar as capacidades nacionais que apoiam a exploração e o desenvolvimento. A directora-geral de Projectos de Exploração da Petrobras, Valéria Cerqueira Conde, destacou o investimento da empresa na capacidade local e nas parcerias com fornecedores, sustentando que «não teríamos alcançado o sucesso que temos vindo a registar sem estas parcerias no país».
Entretanto, a administradora executiva da ANPG, Ana Miala, afirmou que a estratégia de hidrocarbonetos de Angola continua em fase de consulta pública e tem como objectivo proporcionar uma maior previsibilidade aos investidores. Referiu ainda que a estratégia se centrará na manutenção da produção até 2050, no desenvolvimento de novas descobertas, na valorização dos recursos de gás e na abertura de novas áreas de exploração, continuando simultaneamente a reforçar as capacidades locais.
Para a Sonangol, a Bacia do Kwanza é fundamental para essa estratégia. Van-Deste adiantou que a empresa continua focada na exploração como «a base de tudo o que fazemos neste sector», sendo que o actual programa de perfuração visa determinar se o Kwanza pode impulsionar a próxima geração de crescimento em águas profundas de Angola.

